Ai que saudades daquela época que família era à base de tudo.
Lembro-me quando criança que quando sentia qualquer dificuldade, corria para os braços da minha mãe e pronto, tudo estava resolvido.
Meu pai era meu herói.
Quantos filhos imitavam seus pais e diziam: quando eu crescer quero ser iguais a eles.
Mas e agora? Quantas crianças hoje em dia têm esse privilégio?
To falando isso por que conheci um garotinho na rua, que se quer sabe quem é seu pai.
E sua mãe tava ocupada demais tentando sustentá-lo por isso não tinha tempo de tirar seus medos.
Agora entendo quando algumas pessoas falam do fim do mundo, pois não existe mundo sem família, sem educação, sem segurança, sem respeito... E principalmente sem Deus.
Quem vai impor limites as nossas crianças?
Se não existe ninguém para nos livrar da violência responderemos com a mesma moeda.
Li este texto de, Neimar de Barros, há muitos anos atrás e hoje encontrei ele na internet.
Acho que tem tudo haver com minha preocupação com a instituição chamada família.
Leiam e depois me digam se estou errada.
Não Tenho TempoSabe, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar com você.Arranjei tempo para tudo, menos para ver você crescer.Nunca joguei dominó, dama, xadrez ou batalha naval com você.Percebo que você me rodeia, mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo.
Sou importante para números, conversas sociais, uma série decompromissos inadiáveis…E largar tudo isso para sentar no chão com você… Não, não tenho tempo!Um dia você veio com um caderno da escola para o meu lado. Nãoliguei, continuei lendo o jornal. Afinal, os problemasinternacionais são mais sérios que os da minha casa.
Nunca vi seu boletim nem sei quem é a sua professora. Não sei nemqual foi sua primeira palavra; também, você entende… Não tenho tempo…
De que adianta saber as mínimas coisas de você se eu tenho outrasgrandes coisas a saber?
Puxa, como você cresceu! Você já passou da minha cintura, estáalto! Eu não havia reparado nisso. Aliás, não reparo em quasenada, minha vida é corrida.E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora. E se o uso aqui,perco-me diante da TV. A TV é importante e me informa muito…
Sabe, filho, a última vez que tive tempo para você, foi numacama, quando o fizemos!
Sei que você se queixa, que você sente falta de uma palavra, deuma pergunta minha, de um corre-corre, de um chute na bola. Maseu não tenho tempo…
Sei que você sente falta do abraço e do riso, de andar a pé até apadaria, para comprar guaraná. De andar a pé até o jornaleiropara comprar “Pato Donald”. Mas, sabe, há quanto tempo não ando a pé na rua? Não tenho tempo…
Mas você entende, sou um homem importante. Tenho que dar atenção a muita gente. Dependo delas… Filho, você não entende de comércio! Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que falamos émonólogo, só eu falo. E noventa por cento é bronca: querosilêncio, quero sossego! E você tem a péssima mania de vircorrendo sobre a gente. Você tem mania de querer pular nos braçosdos outros… Filho, não tenho tempo para abraçá-lo.
Não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança. Filho, oque você entende de computador, comunicação, cibernética,racionalismo? Você sabe quem é Marcuse, Mc Luhan?
Como é que vou parar para conversar com você? Sabe, filho, nãotenho tempo, mas o pior de tudo, o pior de tudo é que…Se você morresse agora, já, neste momento, eu ficaria com um pesona consciência, porque, até hoje, não arrumei tempo para brincar com você.
E, na outra vida, por certo,
Deus não terá tempo de me deixar, pelo menos, Vê-lo!